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domingo, 19 de julho de 2015

Parâmetros

De alguns sonhos de infância, recordo plenamente.  Alguns eram de voar, atravessar o mares e rios, tocar pipas nas estrelas; acordava com a cruzeiro do Sul me devolvendo as que enganchavam na corcunda da sua cruz. A Estrela Dalva, carrancuda pelo molestamento, fazia-me queixas sobre o cerol que lhe deferiam as cores. 
Depois, passando pela fase maior recordo sonhos agitados, confusos, atribulados por me ver andando descalço pelas ruas da cidade, outras vezes, sem roupa. Comumente acordava aliviado por saber que era somente sonho.
Não vou detalhar as noitadas profanas que na intimidade descobria meu corpo, o colchão de mola não era discreto.
Nestas épocas eu estava me conhecendo como menino, e como menino, a dor aguda do desconhecido molestava-me a tal ponto de acordar excitado. Ainda não conhecia o oposto, mas tomado pelo gosto das imagens; dormia perto do ponto G.
Hoje, os sonhos rarearam, e os que ficaram, se tornaram industriais. Creio que já não os tenho originais. Os ledos pensamentos são unanimes em recordar as noitadas de baile.
Fazendo parâmetros, tudo mudou na virada dos LPs, ainda acordo na caminha de ferro, ou em poltronas das salas, onde varava madrugadas assistindo Jerry Lewis, lendo romances.... Pela manhã premeditava conhecer uma donzela que topasse morar comigo debaixo de uma ponte. O amor era insano, mentia para a realidade. Veio o mais tarde para me contar isso.  A vida me contou tudo, talvez seja esta a causa dos sonhos pausados e tornados em pesadelos.
Ficando adulto, os sonhos também cresceram, algumas das minhas namoradas devem estar passando pela menopausa. Todas elas me esqueceram, me trocaram por namorados, e, eu as troquei por Maria.
*Eu comecei a falar de sonho, não vou alternar por melancolia, portanto, termino dizendo: O sonho de um homem maduro é o resultado de uma vida toda.