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sábado, 21 de março de 2015

Duas taças

Quase sempre na boca da noite a melancolia bate à porta,
Vem fazer sua visita.
Para me engar, Faço de conta que ela é uma convidada,
Deixo-a entrar.
Já que a danada é dramaturga, não vaguearei as sós
Troco esperanças nas cartadas das horas.
Já tive madrugadas de leva-la a mesa
Puxar duas cadeiras, abrir a geladeira, tirar a champanhe especial,
Por uma taça de cada lado, caprichar no colarinho,
Embolar-me no desconforto, esvaziar a bebida uma atrás da outra.
Sei que a taça da minha convidada ficará intacta, também não me importo,
Tomo por mim e pela presença da manhã que está chegando,
Talvez seja isto: responsavelmente a nostalgia seguirá pelas avenidas das horas,
...Pelo clarear terei que enviar cartas de correspondência,
Ir ao florista, pô-las no jarro, e esperar por Maria.
Se Maria não vir, novamente a melancolia vira,
Ouvirei suas batidas repetindo visita.
Maria não veio! Veio o silêncio.

J.Vlemes