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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fui roubado

Não é paranoia. Estou fincado na terra, meus pés entraram pelo chão, ergueu-me me tornando um torrão de rocha. Meu pescoço sobressai ao redor da cidade, deste modo assisto o sorriso dos vizinhos, contemplo a Avenida Paulista com suas diversidades de razões; a 23 de maio, ah! A 23 de maio! Ela me assusta com os carros e motos infernais…
O aeroporto de congonhas faz rota no pico da minha toca e os seus rugidos capinam a cera das orelhas. 
Não estou louco, estou preso numa inutilidade de quatro paredes; sou prisioneiro num aquário transparente, enxergo os quatros cantos do mundo, mas não consigo dar um passo, ainda que seja aqui do meu lado no parque do Ibirapuera. Queria tanto tocar no monumento da Bandeira, dizer para eles: deixa que eu empurre (como disse Vistor Brecheret). Não posso. Sou prisioneiro num Estado cheio de transportes, carros, aviões e bicicletas… 
Não é paranoia e nem síndrome alguma, mas venho sendo roubado aos pouquinhos… Quase nada me resta! Até dormindo sonho e nos sonhos a anarquia é tão real que eu clico em mim e vou direto para página do face; que fosse 5, 10 minutos, normal, Não afetaria! Acontece que estou vivendo em função de curtir e postar, postar e curtir… 
Trata-se de um roubo arquitetado pela internet. Sem que percebesse fui entrando pelos canudinhos das teclas, passo à passo passo para o circuito adentro, a tela plana pula para os meus olhos dai por diante já não percebo mais o cérebro. Quando em vez as minhas mãos sobem para coçar o couro da cabeça, até nesta hora o ansiedade reclama pelos segundos como se a perda do tempo não fosse minha.
Socorro… Fui roubado. Se alguém me encontrar, me mande de volta pela caixa de mensagens.