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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CRÕNICA

 [ J. Vitor ]

Um sonho para ser interpretado por José "Zafenate-Paneia" 

Como tudo começou não sei! Fomos convidados para um almoço após uma feira de móveis.
Tentarei aqui descrever uma anarquia que após ocorreu comigo.
Estava eu e Maria ao pé de uma das colunas, olhávamos para todos que ali se encontravam. Por vaidade, me moldava com gestos espontâneos, pois tinha avistado uma pessoa que o tempo havia deixado no isolamento dos 30 anos.
Estava ocioso entre a multidão quando avistei um conhecido, ele me fez um cumprimento e após um sinal mostrando-me uma ladeira, ele seguiu e eu segui atrás. Na primeira conversa ouvi dele um argumento sobre  apresentação de uma conversa que ouvimos na palestra.   Nesta hora, indelicado rebati, e disse que não concordava com a tecnologia que eles usavam. Tenho para mim que as minhas palavras funcionaram como um desligamento. 
Neste mesmo instante, fui acionado num automático de longitude.  Ele continuou caminhando ao encontro de umas mesas que estavam no canto de um salão afastado de onde estávamos. E assim, ergueu sobre sua cabeça uma delas.
Fiquei desnorteado, porém segui de mesma intenção, pus a mesa nos ombros, o meu pensamento começou a ter confusões. Lá adiante estava ele e junto outro tanto dos demais que estavam no pacote do convite; desciam ladeira abaixo. Agora estava certo de estar colaborando com as preparações, logo, logo, voltaríamos à conversa.
 Acontece que por um desvio curto de memória, eu desci sem perceber por um caminho diferente. Quando percebi havia caminhado umas três centenas de metro. Decidi naquele instante que não voltaria! Seguir em frente seria o mesmo que dar a volta ao redor daquele enorme paço.  Tinha a imagem do mapa, o formato do prédio, os seus pés de coluna, as suas vergas de concretos aparentes. E assim descia sem mirabolar a impossibilidade de estar me afastando cada vez mais. Estava contornando uma das esquinas, passei por bombas de gasolinas, lanchonetes, lojas… seguia esperançoso de estar certo do meu senso de direcionamento mental. Mesmo que duvidas pintavam meu pensamento, o meu orgulho me proibia de parar. Uma voz falou em minha passagem: — Ei moço! Esta mesa não é do salão do Tio Beto?
Eu dei de poucas! Podia naquele instante estacionar a minha altanaria, parar, perguntar, e até voltar se fosse preciso, mas não, continuei como se toda a obstinação do mundo estivesse comigo! Era como se eu estiveste preso a um cabresto, tinha que seguir, eu tinha que estar certo, chegaria no local assim como uma seta quando atinge a mosca.
Quando dei de real, era tarde, estava me arrastando, amordaçado por folhas secas e por mistérios que me cobriam meio corpo. Arrastei-me para livrar os pés, um deles eu puxei para fora, senti que ele estava cravado, quis pensar que fosse espinhos, mas não deixei de pensar em cobras. Com dificuldade puxei o restante; o meu pé havia calcado um gato que agoniava quase morto, mas que por reação de defesa teve força de encravar suas unhas na sola do calcanhar. Com dificuldade consegui desvencilhar suas patas. Dei uma última olhada nos seus olhos de quem contava os minutos da passagem.
Continuei o meu martírio. Naquele momento sabia perfeitamente que havia entrado no mundo dos mendigos, tinha o corpo forrado com toda toalha da pobreza.
A visão já não tinha mais lucidez de real, transmudava entre acontecimentos. Agora estava no arco de uma avenida num lugar do primeiro planeta.
Posso dizer isto por não conhecer o que acontece dentro das casas nobres, dentro dos muros que rodeiam quarteirões. Olhei para os lados, busquei um pouco de clareza, precisava voltar encontrar-me com Maria. 
Impossível! Meus miolos estavam soltos dentro de uma caixa, nem ao menos a massa cinzenta se fixava por um fio que fosse numa letra de razão!
Fato estranho é que vez e outra o mundo parava de dar volta, então por segundos a lucidez voltava, a visão de uma coisa qualquer me chamava o raciocínio; não que eu lembrasse o começo de onde havia saído, mas sim por que atitudes de pedinte estavam nos meus modos, nas minhas corcovadas de quem pede esmolas.

Rapidamente o mundo se desligava novamente. Não sei bem como usava as moedas que recebia, sei que havia naquelas coisas redondas o poder de adquirir energia para que mais tarde novamente, eu, no mais profundo submundo voltasse olhar o sol que brilhava no pano de fundo e as suas pessoas que caminhavam compassos de tangos, boleros, não sei!    Como tudo começou não sei! Sei que pela madrugada tive um sonho, e como no geral, sonhos são confusos, o meu sonho foi este!