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sábado, 13 de abril de 2013

Sábado de garoa


[ J. Vitor ]



O meu vidro esta entenebrecido, 
o céu vestido de cinza, e aqui 
da minha cadeira, procuro entender  porque chora a garoa lá fora. 
Talvez o lamento seja das previsões futuras. 
Em cima da mesa, está posto uma arquitetura que emudecerá completamente este meu posto de vigia. — Uma edícula nova esta se efervescendo da segunda laje. Tão breve terei que me mudar, ou simplesmente morrerei de tédio… 



Sentado aqui diante do vidro, posso afirmar que 
tudo que existe neste instante tem as dimensões de 2/0,50, cujo o formato revela-me  o mundo como se ele não passasse de alguns prédios e varias residências, e dentro delas os despertadores estão emudecidos.
Concluo, enquanto o mundo dorme, a natureza deste enquadramento me acode com poesias…  


Passaram-se as horas, tomei múltiplos cafezinhos; caminhei dentro de casa, (andei sem ruir o piso), sentei na copa, ajudei Maria estender a toalha. Enquanto ela arranjava o frango assado na travessa, eu punha os talheres. Almoçamos o galeto da padaria próxima.
A garoa é contínua! Está lavando o verde, as folhinhas espalmam os pingos até que o peso d’água faz grudar seu corpo ao caule. As calhas trabalham. Os tubos que descem delas imitam cachoeiras do paraíso, o seu farfalhar cura o silêncio com silêncios. Maria lê, eu me estendo no sofá junto do prenúncio do frio que chega aos poucos. O cobertor cobre meia perna. Premedito — Até ao cair da tarde, dormirei ao som da flauta que vem lá da outra sala.