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sexta-feira, 29 de março de 2013

Não sou tão simples!




[ J. Vitor]

Se somente fosse simples ou um patriarca desleixado, um descuidado Quincas ou um habitante distante, talvez, teria o que sinto falta: um pouco de mim próprio, um pouco de quietismo, de orgulho; o suficiente para não estar vexado, calado, sem jamais precisar de apoio.

Se somente fosse coelho, acuado, sem fôrma sem sapato, sem moda sem gravata, sem o carro na garagem, sem a carteira ou certidão de nascimento; não precisaria de mim próprio. — Teria de mim, o próprio!
Não sou tão simples! Não sou só pó! Sou fumaça, filho, e um paletó de missa.

Não sou letras, vírgulas ou frase banal! Sou a satisfação de ser sentido, sou um coração metido de casual extrovertido; sou os dedos e duas mãos. Gosto que me apliquem espírito; até mesmo quando me rasuram.

Na verdade não sei ser este machão que dorme na calçada, que pula carnaval no salão distante.

Sou: o medo de ouvir; à vontade da conversa: seja ela espontânea ou informal; sou como a raia de sedas e cerdas embaraçada no galho  sendo perfuradas a cada puxão.