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domingo, 23 de dezembro de 2012

Tão distante

[J.Vitor]

Nas torrenciais ondas e cachoeiras de choros
navego em nau a pique, socorra-me... Dê a mão a este leme.
Venhas…, velejes ao meu alcance,
teu hálito no meu sono acareia as águas,
dá descanso para as lágrimas e traz à tona o coração

Tu, longes…
Neste mar… pincelada sobre o bronze
doma as ondas, amansa a ressaca da maré  
tira delas a obediência de subir e descer

Tu, longes…!
Desobriga o sol de morar no arraial,
dá férias para o luar,
despede a noite numa lonjura qualquer

Tu, longes…
Fazes do olhar a palidez das sombras
desvestes o coração, carpina-lhe a aorta
mas tudo que de restante importa
nascem em redundâncias das sobras. 

Aonde vais que encolhes de mim as mãos?
— esconde-se dos meus lábios em lagos distantes?

Onde vais… tão afastada a levar-me a vaus e vultos
a fazer dos meus abraços, remos curtos,
e dos meus sentimentos, um ato ignorante…

Tu, longes…  Não podes me emergir
então somente saibas:
encontro-me na mesma praia,
lá ainda assisto o turbilhão do amor que nasceu neste beiral do mar