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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Teatro “A dor é vinda”


(J.Vitor)

Aproximou-se — Era a agonia moribunda.
O mal fatal.
Trouxe conselho, disse:
Esqueça a saúde,
A dor é vinda…
 “está a porta.” Traz-lhe consternação.
Aonde ponho? — Perguntou!
Depois respondeu a si mesmo…
Encostá-la-ei na artéria aorta;
Fez um urro, tornou a repetir:
“sou eu” “o medo,” “o outono”.

Aquele que ali estava após ouvir,
Escalpelou-se e morreu.

A morte deixou no depor um aviso,
Que na sequencia… voltou dizendo:
Fui ao grande destino e levei o trâmite do óbito, foi aceito!

Estou de retorno, busco outro contento.
Pois, sou encarregado de levar os preditos
Sou a resposta simbólica da foice fastidiosa.
Tenho o traspasse que a vida não tem.
Vidas novas saem de lá, vem viver aqui.
Vem para aguçar a alma: passeiam pelo tempo:
Enamoram-se, elaboram vivências de praxe,
Participam de partos, (parturiam-se aqui,)
Quando cansadas, me chamam!

A dor é vinda… Urrou…
Um rapazola ouvindo a voz do além implorou,
Contestou ser cedo, não se declinou,
Não queria ir, desmesurou a outra parte.
Inquirindo, perguntava...  —  Porque irei agora?
Resposta não teve.
A donzela no seu canto
Enamorada do moço, teve um grande espanto:
—  Deixe-o para mim. Não o leve embora.

Nada conseguindo, só dor e revolta.
Interpelou ao milagre inesperado,
O milagre pelo  moço púbere e despreparado,
“confabulou-se com o ar clamando-os de volta.”

O respiro voltou a inflar-lhe o peito
O peito tornou toda força que podia
Disparou na existência… desperto.
Novamente, andou, trabalhou e namorou a revelia.

Aquela, antes donzela... Agora veio a ficar velha
Sorriu para agonia sem pedir outra fagulha!
O inesperado urrou novamente, não se fez de aliado,
Sabia que em ambos não havia mais legado.

O fortuito juntou sua força com o prodígio,
assim atenderia causas de crença.
A fé que a velha tinha ficou sem subterfúgio
havia se desprendido na doença.
 
E assim, a velha também se fora. Posto que:
Os netos que dela viera brincavam no antigo sótão,
quando encontraram, trancafiados a um tique-taque:
tábuas do assoalho… desprendiam-se do chão.

Debaixo havia um amontoado de papel
Era o diário da moça que de viver virou vovó.
— Velha, viveu a última volta a sós:
Sem a mocinha e sem o rapaz que após encontraram-se no céu…