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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um pouco do começo - cap. 5


Cap. ... 5
Muitos vieram para beberem vinho, comerem bolo, doces e salgadinhos.

Passamos a ser visto como casal equilibrado, ordenado da feracidade. Estávamos prontos, podíamos dissipar e entornar os infortúnios, derribar e construir o que fosse preciso no porvir.

Eu saia para o trabalho... Os dias passavam. No final do mês, um salário pequeno. Comprava para os trintas dias: energia que acendesse as lâmpadas do candeeiro, água para o arroz e banho.
Mistura…! Uma vez por outra, chuchu, ovos fritos.
Vivíamos com os olhos amarados.
O tempo em sua pressa seguia… a roda da vida seguia… a expectativa de meses melhores era a alavanca da espera. Espera de um saldo bancário maior e que um pouco daquele aperto atenuasse.
No caminhar do tempo, o saldo na conta tornou-se maior. Porém um punhado do aperto continuou ainda se comia chuchu sem carne, sem farinha; às vezes sem feijão. Contudo, o primor crescia, transforma-se em determinação.

Era uma casa no meio de tantas, surgia no detalhe de acertos, falta de tintas novas. Outras vezes carecia de consertos, de telhas, de mais cômodos, e assim se fazia de época, de salário, de cada oportunidade. Carecia do requisito do honorário, das horas extras, da poupança sofrida.

O relógio de segunda a sexta feira delegava seu horário programado. Saltava num sobressalto ajeitando-me na beira da cama, erguia-me meio bambo apoiando a mão na parede do corredor estreito, seguia sonolento até ao vaso, curvava os braços tocando os cotovelos nas coxas. Apoiava o queixo nos punhos atendendo a deixa da bexiga e do rim produtor aflito.
“os minutos que ali ficava” dava-me o tempo de repensar:
Tudo se passa no recantar melafônico da mente e do quando o coração age espontaneamente… jorra delírio, faz faiscar o olhar, dá choque na alma, dá pancada na emoção e tudo se cria precioso de querer, que de querer se ajeita no recôndito do gozo, vai se delinqüir com as borboletas.

Tem dias que faço diferente: acordo contente, minutos antes do despertador; bolino a Maria. Ela acorda, sorri, entende o fustigo, levanta, se ajeita e vem. Sabe que é dia de poesia, nestes dias não existe simplicidade, não existe poesia mal feita. Toda poesia tem começo, e é preciso terminá-la. E para terminá-la, leva-se a vida toda. Não importa que se faça uma, duas, três estrofes a cada dia.
Tem dia que simplesmente passa evasivo. E os motivos…! Por muitos: a criança quer a mamadeira, o telefone inoportuno toca, o cão que chorou a noite toda ainda rosna. E por tudo, não se fez um verso de poesia.
Não importa! O dia é o sucesso da noite, á noite continuação de poesia.
Dizemos um ao outro — amor! Não terminamos nossa tarefa. — Lembras, estávamos nesta manhã ausentes; colhíamos amora para a torta da tarde...
Inesperados, não ceifamos o necessário. — Que me dizes de voltarmos às moitas... Assim mais à noite, eu preparo as frutas; tu terminas as poesias...
…Nos dias iguais, vou a fabrica, achego-me nas máquinas, ajusto-a para fabricar armários, convirjo projetos diversos, encontro o vizinho na feira, compro peixes...
Nos dias diferentes, faço as mesmas coisas:
Vou ao cinema, alugo fitas; às vezes convidam-nos para casamento.
“A diferença é que nestes dias pauso a poesia...”

de J.Vitor
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