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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Subindo no tempo - cap 6


Cap. 6

Sentado no vaso ressonava mais um tanto, recobrava os sonhos turvilhados das poucas horas de sono.
A minha frente ficava o metal gélido fincado no granito. Erguia-me do vaso, adiantava-me diante do espelho, corcoveava a mão e subia com elas no rosto, as primeiras águas tocavam-me de leve, as últimas venciam o incomodo da morbidez.  
Depois vinha a escova, apagava o doce da noite.  O perfume fazia relembrar do travesseiro macio. (quinze minutos se passavam)
Inteiramente desperto ia aquentar o leite, fazer o café, tirar a marmita da geladeira, dar mais um gosto para a primeira saudade.  

O mesmo relógio dá o segundo alarme.   Agora chama  outro nome:  Dona mãe de quatro filhos, acorde!
Ela abre os olhos e se vê rodeada da prole. Um deles faz um pedido de leite, os outros repetem em coro: leiiite pããão e chocolaaate. É o verdadeiro atazanar de choramingas, de fraldas a serem trocadas, de uniformes para passar e da buzina desesperada que espera pelo mais velho.
A dona senhora passa a manhã rodeada pela saia; vem o horário novamente da buzina aflita, avisa à hora do almoço, pronto, é o despacho da menor que vai junto com a filha da vizinha. À tarde… quase sobre controle… chega à vez de ir buscá-los.

O relógio de sábado e domingo descansava. Nada de comércio, nada de nada ajustado. Restava-me o balde, as rosas no jardim, a poda do espinheiro; levar as crianças para os dominicais, para o passeio no parque… depois… à noite… o padrão: salvação, os pedidos, os agradecimentos…
Na rotativa do bem... Deus criou os primeiros anos, e dava a nós para usarmos com benefícios.
J.Vitor
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