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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Trauma e Felicidade


Chamo Mário,
De três para quatro anos meu pai foi servir a Pátria
…Não voltou…
Com doze para treze mamãe adoeceu…
Eu fiquei ao porte dos sonhos.
Cresci numa casinha inacabada.
Tinha medo do enoitar, principalmente se a vela terminasse:
o mundo ficava mais quieto
nascia estalidos no telhado.

Olhava para o vão aberto, ali havia projeto de se pôr janela,
no entanto cobria-se de panos,
eram sacos de farinha (uma para cada banda
hasteados com a mesma linha reaproveitada.)

Nas primeiras horas de cada amanhecer,
ansiava receber um amigo.

Os anos se passaram, por sorte,
hoje tenho um porte de cadete
Recebo os benefícios do meu papai “Herói de guerra”.
Replanejei a casinha que ele começou  

Bateram na porta…     



Era a amiga Maria!

“Como hábito”

Ofereci um cafezinho lépido

Ela preferiu um copo com água

Tirei do cantil o líquido gélido

De mesmo instante preparei outro caneco

Fiz o café receptivo

Seria para uma segunda oferta:

Na vasilha dois copos afetivos,

No coador duas medidas completas.

Despejei a fervura sobre o pó

Levantou canudos de fumaças

O cheiro espalhou-se na copa

Pus na xícara duas pedrinhas de mascavo

No pires uma banda de chocolate

Por fim despejei chantilly

Ali terminava o mate e o medo que tinha da noite.



de  J.Vitor