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domingo, 3 de abril de 2011

Demanda



domingo, 3 de abril de 2011


Paciente de barbeiro!


 Joaquim Epitácio Severo. Fazia cortes de cabelos, além cortes de cabelos, era dirigente Bíblico (Pastor).

Naquele cubículo, sentado ao lado, numa poltrona de couro preto com lugar para três ou quatro clientes, aguardava minha vez desfolhando jornal ou revista que ali tivesse. Não me punha a ler, passava de uma folha para outra na procura de enquadrar-me no dizível da conversa do salão.

Aquela conversa entremeada trazia uma suntuosidade obstante de particularidade, porque entre um caso e outro surgia alguns implícitos novos seguidos de comentários picantes, marcados com as dementarias que o homem cria!
Era impossível naquela cadeira fazer um refrão de sentimento abjudicado. Por que a percepção se apurava em apatia e palpites.
Nisto, fico pensando, como é profusa a nossa gana de querer saber, aprender e entender.
O cabelo cresce no demérito da vivência para que oportunamente nossa perspicácia se avolume em cada corte.
O cabelo fértil debanda deixando artifício exuberante no qual o prefácio da conversa gostosa seja abundante; descortinando sutileza que nos cliques da tesoura copiosa tira fandangos dos bares e os levam para as igrejas. No burilar dos dedos entre os cabelos, nascem outros temas, trazendo subtilidades abastadas.
  Seu Joaquim termina aquele nobre cabelo, fazendo o troco com alguns gracejos.
Sou o próximo, sento na cadeira, e fico aguardando os movimentos de praxe. E a praxe é esta! — Perder o cabelo comprido e complementar o compêndio luzido, que nos intervalos alongados ficam com afasia. 
Sentado na cadeira da barbearia, percebia seus dedos correrem pelo bigode como se fossem um tique de ornamento ou talvez um agastamento próprio de incômodo.
Eu. Estático, rodilhado com uma capa branca, seguia as recomendações das suas mãos, que com gestos fazia-me saber se deveria virar erguer ou abaixar a cabeça. Ele balouçava a tesouro no ar produzindo certo ziguezigue, voltava nas mechas erguidas entre os dedos e definhava a tesoura repetidas vezes.
A cerimônia do corte misturava-se em ouvi-lo nos temas teólogos. Ouvia…! De certa forma era memorável, e, visto pelo lado cômodo, dormia!
Eram assuntos e questões de muitos acontecimentos implicados de contendas bobas; mas, as tais, enchiam o enleado da conversa.
Os que no salão estavam, meneavam insinuações produzindo incessante continuação… “A demora ia diminuindo dentro dos instantes de ouvir!

de. J.Vitor