LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Anjos distantes



Atrás daquele muro alto, está o cemitério.

Revoa-se nele, silêncio… mistério…
Às vezes passo perto
Entro no intento do enigma estar certo!
Entro para deixar flores no jazigo
Minha alma vai ao além e me pergunta:
Será este o fim do mundo?
Se for… sei agora:
O fim está ao redor da vida
Em lugares de muro alto.
Lá estão os amigos, primos, conhecidos,
Inclementes que desceram as covas.
Não sei dar número ao inânime,
Não sei quanto à vida os esqueceu!
Passou-se naquele instante uma ventania,
Não sei se entre o vento,
Se entre o revoar das folhas secas
Se na boca de uma ave preta…
Ouvi uma pergunta… apontava:
— O mundo termina ali?
Onde estará seu começo?
Será necessário que um entre para que outra saia?
Adveio uma resposta:
— Não, não...
São mais os que vêm dos que os que vão,
A menos que um que vá
Se divida em partes ou em simetrias,

Só assim justificaria a duplicação.
Portanto pela vida aberta
Entram os anjos de um céu distante,
Vem para se embriagarem da cana,
Para se fartarem dos frutos,
Sentirem o perfume da terra.
Vem para usar o ar, os rios, o mar…
Vem, fabricam aquele muro, os túmulos… e, se deitam.
… Uma dona, do lado de fora, vende flores,
Diversos arranjos, diversas cores.
Um homem de cabelo grisalho
Vestes escuras
Tirou a carteira
Comprou vários ramalhetes.
Entrou pelos portões daqueles muros
Caminhou… as quadras eram marcadas;
Pôs-se a ler números e nomes nas lápides.
Parou diante de uma placa de bronze.
No epitáfio preso em mármore caríssimo,
Guardava-se quinhão de memórias,
Nas linhas combalidas, recordações…
Ao ler as escritas, lembrou-se do esquife;
Lembrou-se daquelas últimas despedidas.
Deixou cair sua rosa. Foi o último adeus…
Deixou um encontro que não terminara
E que a terra não tinha o poder de levar.
De J.Vitor