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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"Tri"

Homenagem à tia Isaura

Perdi um eu da rosa neste fim de  semana, (uma tia muito amada). Senti a força do vento e capacidade que ele tem de passar, fazer sua presença e ir sua viagem sem nem ao menos sabermos se o veremos mais!, mas eu gosto disto, sinto que somos ligeiros num ciclo de grandes amores

Mora comigo três “eu”
Um deles é o dono da caneta, Levanta na madrugada, deposita no caderninho a vida. Enquanto este faz diálogo, simultâneo outro eu ergue-se da cadeira, faz café; Põe beleza na toalha da mesa, e sai. Geralmente os três fazem consenso. Como erguer o dia? Um discute com o outro. — "São pensamentos mudos”

— Perguntam-se entre si (tri)! Quem sairá? O que faremos?  Calam-se…
Mas, sempre tem que ter o tal, é o “Ele!,” Ergue-se… Vai à frente, sai requerendo “Os”. Traz atrás de si: nós, (os eu[s]).  (um deles é o distraído K — atrapalha um bocado) sim! — Ele pensa poesias, traquina no projeto, mistura as linhas, dá nó no pensamento.
Agora falarei do outro! — Vem gostoso e amoroso, ajeita-se no peito, esparrama sorrisos. — Liga as imagens e assiste Maria, tira tiras, faz fotografias.  — “Eu,” vai à máquina, peleja o trabalho. — Quando chega o fim do dia os eu[s] estão exaustos; aí… o pior acontece; pois, os três usam a mesma cabeça, e, para sair do impasse quem decide é Maria.
“Eu primeiro” é aquele que ganha dinheiro, outro é quem compra vestido, manda entregar flores.
O Eu terceiro anda adoentado; tem o corpo avelhado, e, sobretudo suporta o peso dos Eu[s].
— Os três andam numa disputa ferrenha, um qué, outro café, o terceiro beija a mulhé!
Agora, vejam!... Todos ficaram doentes, e correram para o analista; requerem independência.
Portanto!, dizem ao Doutor, Estamos nós aqui… queremos dar nome para os nossos esquizofrênicos.

O eu responsável pela companhia, no meio da consulta teve um surto repentino, levantou-se, estendeu a mão e saiu deixando seus dois eu[s] no divã do desabafo.
— O tratamento vinha se arrastando no silêncio, e os resultados eram pequenos. Vejam vocês: — Gritava à frente o eu do trabalho; zangava com o tal do poeta, que até então vinha casmurro como sempre!  Os dois que já o conheciam  se aquietavam e até o admiravam, mas havia momentos inadmissíveis. E, como nem toda   a vida deve ser levada a fogo e ferro, ele veio sendo anulado aos poucos, e lhe era imposto ouvir as cigarras.
Bem! A tudo isto o "Eu" revela: viver aonde o prazer mais pega, gabava-se ser o mais necessário.
Fica sempre a dúvida, pois, no repente o tal que grafia se diz o intimo; no entanto, qual é o apaixonado pela Maria?
A cada seção descobria-se um pouco de cada dom. Sentavam agora tranqüilos. A vida já não pesava carestia; uniram-se ao congênito e passaram a discutir poesias! 

texto J.Vitor