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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aquario


Deixei descansar o riso
Para socorrer um companheiro aflito
ele passeia na sombra da minha chapeleira
e se queixa. Tentei consolá-lo.

ele é aquele que pernoita comigo e chora oculto,
sonha pronomes e às vezes faz poesia inculto.
Abrir-me-ei para falar dele
Pelo fato de vê-lo esquivo dentro do véu.

Sei dele assim como sei de mim e
Quando pela noite o sono se vai,
o chinelo lhe vem aos pés,
Leva-o pelo corredor da casa e
na sala arreia-se no sofá.



- Serei hipócrita se disser “não tenho pena”.
Serei leal se disser “chorei com ele”.
Perguntei-lhe a magoa:
a mim respondi
— sou um peixe de aquário:
de manhã a casa acorda,
passam pelo vidro sem dar bom dia a tal ornato. 

Deixarei à parte esta aspereza!
Falarei da sutileza;
a mesma que envaidece,
a mesma acuidade que se aprove de compreender;
que empurra quando para na virgula,
que ajuda quando se erra o ponto e
toma um bonde interrogativo!
Destes feitos falarei!
não do homem furtivo,
das noites vagas,
do corredor sombrio. 

Nada mais ofusca-me o brilho
a muito me perco em noites caladas 
em madrugadas sem companhia.
Agora, mesmo que queira me esquecer,
viverei de prestezas.
Digo ainda: a água ácida me faz bem;
faz transparecer brilho na escama,
as guelras ganham cor e a brânquia fala de amor.
O que me vale vir a tona — se moro no coma?
- Sou um peixe deste translúcido lugar!

J.Vitor