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terça-feira, 10 de maio de 2011

Manhã de inverno


Um pássaro semi extinto, talvez um curió, ensaiou um trinado, fechou as asas, partiu ao encontro das nuvens róseas pálidas... desaparecendo no céu.
Aquele dia era uma Luminosa manhã de inverno. Despertei, nenhuma circunstancia ocorria adversa.
Àquela hora de início, era viva, plena, e eu sentia a mesma plenitude.
Aspirei com força o frio cálido, do vapor sereno e expeli tênue ar. Espreguicei-me satisfeito. Viajei na janela daqueles momentos, fui distante como também soube ficar ali e ser feliz.
Preparei-me para enfrentar a gelada água da torneira.
Entre o vitral, ao longe o céu despencava tingido de vermelho Bureau.
Uma ou outra ave silhuetava contra o resquício da noite.
Estava com as mãos sobre o metal duro e regelado, girado,
A água passou a correr entre os dedos preenchendo o côncavo das palmas. Mal e mal tocou o rosto, desceu para o lavatório num grito de pedra.
O rosto penoso do que lhe adivinha, torturou-se do encontro e, cedeu de vez.
Pelo outro lado, num dos quartos percebi um débil som,
Era uma das meninas alongando o braço ou a perna fazendo tanger a parede num repicado expressivo de quem ia se levantar.
Sustive os gestos e pus-me à escuta, nada mais ouvi.
Destramei a porta, vagaroso fui à cozinha, pus a caneca no fogo.
Tomei nas mãos a xícara de café que do habitual fazia.
A vizinha maranhense fazia certo atazanar no quintal.
Percebia-se que um dos cachorros reivindicava o serviço da manhã.
Outro corria. Pude entender que ouriçava um trapo no chão.
Ambos, cachorrinho de rua, pernas finérrimas, esculpidas de estreitas. Daquele incomodo estava de pés erguido.
Ainda, pela janela, Vi em cima do muro um gato pardo a arrepiar-se todo.
Quis pensar que fosse amedronto dos cães, não era, era um pardal, Mariscava o topo do muro, pulava, dava uns painços de procurar o dia.
Aos poucos o Sol timidamente encostava seu amarelo nas telhas. Fazia subir neblina que esvoaçava vagarosa, era outro sinal do inverno.
A crespidão ia-se da noite, ficava o Sol exposto vestido da folia do dia.
A buzina soava, a perua escolar reclamava um cochilo a mais, Outra buzina, fosse lá quem fosse maledicente inconveniência.
Certamente a esta hora ninguém mais dormiam, todos, voluntários ou não faziam parte da cidade gigante...
E, eu, Tinha uma obrigação a complementar. Vesti o casaco de frio, busquei a mochila e sai.
Assim como o curió — tinha o meu trabalho ensaiado. Liguei o Volkswagen azul 73, e parti para a minha meta. Levava na mala um álbum de venda, e reflexão da primeira oração. “Valha-me ó Deus, estou usando o teu céu e a beneficência de cada dia”.

de J.Vitor