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terça-feira, 8 de março de 2011

Flores de Maracujá


Tornei uma testemunha verossímil dos anos que dormiram.
Fiquei velho, não me dei o luxo de ser bandido.
Numa parte do caminho fui literato embora nada culto.
De um restante, cheguei, trouxe o nada que do trabalho tive; trouxe o resquício da vida que vivera.
Tenho ceticismo, tenho os olhos marcados de rugas, se isto é pouco, vejo a metade do que antes via.

Avistava a perereca verde nas folhas verdes, e o louva Deus nos gravetos secos.
Não havia flor que fosse tão bela ou igual a das ramas do maracujá.
Que me vale agora relembrar as cabanas nas moitas; as corridas de pega-pega, o jogo de taco!
Mesclo os meus meninos com este choro de velho; o que me resta?
Quisera ser um voluntário restrito... Da vida um marginal proscrito;
Um moço sem pressa... Que me vale ser este homem discreto, cheio de escrúpulos?
Disto que fui tenho a vida riscada...
Quero voltar atrás, aconselhar aquele moço desnaturado.
Direi a ele que não se joga toda a vida numa só partida.
Tirarei dele um tanto de prudência. Em troca usarei o agora.
Pedirei que faça erros, assim talvez não erre o velho.
Assim faça a vida faceira, os dentes embeberem-se de vinho.
Até mais lhe direi: não vá a um passeio sem antes entrar num Bar.
Outro conselho: viva! Veja filmes, participe de peças.
Por que quando lhe vierem os dejetos de velho,
Não haverá renúncia e nem inveja do que vivera o moço...

de J. Vitor