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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Do nosso amor


Olá! Qual o teu nome?
_ Silmara.
_ O meu é Vitor.

Estávamos impermeados de receios, talvez fosse uma vergonha infantil – de qualquer forma, eu me atirei em algumas conversas básicas; obtive respostas que aveludaram as minhas perguntas. Sentia-me inquieto, desconhecia a plenitude das coisas mágicas; não podia prever daquele instante que estava diante de uma evocação de amor.
Minha irmã menor estava junto de nós, no pouco que lembro, ela manuseava um livro, e assim, nós três, olhávamos um para o outro caçando amizades. As conversas que tivemos naquele dia, ainda faz rubro os meus pensamentos, porque, pelo que bem lembro, fiz para Silmara uma pergunta escolar sobre física, e é claro que eu estava bem entrosado na matéria, pois, o que não me dera naquele instante é ser 6 anos mais velho e ter, portanto, obrigação de conhecer o assunto decorado.
Aquela garotinha recebera o dom da franqueza, mesmo que estando em conflitos de vergonha, respondeu espontânea a frase: não sei.
Daquele encontro guardo esta marca que borracha alguma apaga de certos avexo.
Tão logo mudando de conversa, ela nos falou que tinha 12 anos, e eu, com os meus olhos de 18 anos, enxergo-me ridículo até hoje, não pela diferença da idade, mais por saber que os dois anos escolares que tinha a mais, era bem menos do que deveria ter se fosse o feraz inteligente que quis ser na minha altivez.
Lembro-me de você!
Cinco anos se passaram, agora, nos teus 17 anos, amadureci a atitude pedindo para lhe acompanhar, e no mesmo dia lhe pedi para ser minha namorada, e tu fostes, fostes também minha noiva, depois minha mulher. Não lhe fiz rainha, longe estive de ser rei, somente fui feliz.
Por onde fomos e por onde viemos, a jornada veio dos mesmos panos delicado e sutil.
Hoje, a glória dos dias multiplicou experiências, trouxe para nós a ciência, a consciência de que o destino existe. Afortunados, eu e tu, somos proprietários de quatro filhos e por respaldo, 4 netos.
Isto descobri da vida: somos gestores das herdades recebidas. Por quanto o globo gira e nós contribuímos com o ciclo paulatino.
Se possível fosse deixaria registrado todas as atividades... somando-se as boas, um castelo novo e nosso ergueu-se na natureza; algumas paredes servirão de cômodos para o futuro, outras serão vendidas, reconstruídas... não importa, o que virá depois serão consequência que houve na terra... se me permito dizer: dois alados que de lado a lado, sorriam quando na vertigem de subir e descer o gélido vento recebia os nossos rostos; e destes momentos, nós, marotos de saber que uma história estava compactando a jornada do romance, propenso a ser um best-seller.   
Silmara, você ainda está aí?
_. Sim!! Sempre!!
_. Que bom! Ouvir-te nesta reticencia.
Estou de caneta em punho, perdoai se a minha memória falha, e se dos tempos abortar um sorriso, quem sabe estes ainda estejam enfebrecidos de presente.
Ah! E por perguntar, hoje à noite voltei a conversar com a menina que entrou pelões das minhas entranhas, tomou posse dos meus olhos, namorou os meus sentidos, fez festa com os lábios embebidos de beijos; crescendo-se um pouco, passou a me dar aulas de amor.
Conversando com ela, me disse que a pergunta que naquela tarde lhe havia feito, não foi sobre física, mas sim uma indagação de um seriado que naquele instante passava na televisão de dinossauro. Foi aí que a minha pergunta empapuçou de vergonha a recordação que de quando em quando acorda. 
Perguntei-lhe: você acredita que ouve dinossauro?
_ respondeu-me: Se os homens estudaram o caso, devo acreditar.
_ O assunto fechou-se, porém, não os resquícios do primeiro encanto.
Tem vezes que o mundo dá o parecer de ser antigo, no entanto os momentos são atuais, como também tem coisas que as eras não levam embora, vem o sol, atrás vem a chuva, o frio, o vento; erguem-se as árvores, algumas são sementes da estia que se preservam para as tempestades. Debaixo do sol nada é novidade para que SE diga, um fruto diferente foi criado.

Certos acontecimentos são como anzóis que nos fisga e nos faz morar no mesmo Passaguá.

Lembro-me daquela menina – estiquei a mão e lhe disse: prazer.
Naquele tempo eu era extremamente tímido, e ela extremamente novinha. Não sei qual foi o mistério daquelas horas de olhares perdigueiros; como ainda não sei – ontem, sentávamos a mesa... vou mencionar a data que de nada vale: dia 12 de abril de 2015.
É compreensível dizer que de nada vale o relógio, as folhinhas e calendários quando duas almas se encontram num caminho eterno. Contudo, nesta primeira vaga somos figurinos frágeis. Após o conduzir do dia, estávamos um de frente para outro. Ela acabara de sair do banho, sentou-se do lado oposto; cansada – olhar quieto e caído. Preferiu encerrar a alimentação com uma xicara de leite com café, trocou a janta por 4 bolachas.
Percebendo que estava meio restabelecida dos aborrecidos, quis saber como correu o trabalho com as letivas crianças.
_ saiu um pouco do normal - com as crianças, sinto que cada vez mais, vou ganhando os abraços reclusos.  Até creio, que possivelmente irá melhorar em medidas. Não chegarei ao nível máximo, mas, estou fazendo conquistas.
Continuou – tudo estaria melhor se não fosse um caso desnecessário que ocorreu e ocorre normalmente quando as crianças cruzam pelas proximidades da secretaria. Elas na animosidade eufórica se excedem com as vozes. É meu papel pedagogo tentar conter para que tal não dê má informações para eventuais pais que estejam na recepção, ou salas de argumentações, e o que passou neste dia não foi diferente, se, fosse o fato de uma das Sisters presenciar tal fato. Isto trouxe reclamações com o meu superior. Levo-me a crer, que alguém, por motivos inescrupulosos, gosta destas desestabilizações para afligir emoções. 
_. Respirei triste e preocupado – nada pude,que não fosse meias palavras.
Depois ela passou a me falar da faculdade, que não deixou de ser mais algumas horas tortuosas. A prova estava num grau difícil. Algumas partes do livro haviam ficado mal explicitadas devido ao pouco tempo.
- Fomos para cama, e como acontece em todas as noites, dormimos após respirações de dois amantes.  

Dormindo, sempre sonho, como nesta noite que passou, sonhei ter trambicado a roda dos anos, e lá estávamos, eu e ela nos encontros que tínhamos quando saímos juntos, depois casamos, tivemos filhos, mas, nas coisas boas as minhas imaginações não bolem, na felicidade, a noite não caça.
Na verdade, das ocasiões que lá volto, não significa que quero fazer mudança e nem tão pouco mencionar tristeza por ter ficado velho. Gulosamente faço isto por ser uma opção de transição que o futuro permite para quem quer ajuntar as horas boas; ao contrário das fases que fui mais moço, porque quando lá estava não conseguia ir a futuro e nem saber que as dádivas do mundo morassem no distante, onde estou agora, eu e Maria.



   

Estou estabelecido na vida há sessenta anos.
Firmo, portanto, que alegrias se repetiram incessantes, quando não, houve tristezas, passaram.  Houve momentos de destrezas; a que mais figurou foi cálcio do amor.
Assim como os dias foram relativos aos anos, os contentamentos foram corporativos nos planos.  

Ainda estou aberto para uma saúde plena, porém, bem sei que a minha falência ocorrera inevitável. Contudo, gabo-me feliz pelas vendas dos meus produtos costumeiros ­- e digo convicto na condição de homem caseiro:  Lembro-me das paixões que tive, foram muitas, e dentre as passadas, menciono a minha infância, o afeto doce de mamãe, o chicote de meu papai, as formaturas da mocidade; ah, e como deixar de mencionar a lua de mel interminável, esta ainda copula a minha alma, e é ela uma assinatura viva nos meus formulários de atividades.    
J.VLemes