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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Outono chegou

J.VLemes

Chegou o outono, os pássaros fanfurriam.
As andorinhas prenunciam à tarde.
Finco a alma na rede, ela geme… escabiosa.

O vento faz as árvores garrirem nos troncos,
e o farfalhar dos galhos, me põem a louquejar.
Ouço um apito longe… liberta um poucochinho do gládio.
Tento disfarçar a inquietação. A tarde é lenta; 
à hora bisbilhoto o lugar vazio “O porquê das lágrimas.”
                       
Nada respondo. Vem à madrugada igualmente, zomba.
Pela manhã o relógio desperta, abro os olhos... temo a claridade; outra nequícia... vejo a casa sem notícia, sem aquele roupão pendurado no gancho.
Do lado da cama só o chinelo vazio.
No criado mudo, o retrato reacionário esconde a foto
Junto, os episódios… “tidos no mercado, na feira livre, nas ruas de Parati”.
Ela chegava pela manhã. Tudo mudava, o vazio acabava,
A máquina do alvorecer parava.

Se, “Novamente só”, debatia a solidão.
Se vinhas, terminavam as perguntas de tristeza.

Como me acomodar nas manhãs frias?
— volto a tantos resquícios, sento na cadeira de pau da antiga casa, 
me sirvo da mesa farta, do chocolate, do cafezinho; Tuas mãos sobre as minhas.
Tínhamos a vivacidade do orvalho que na queda de cada gota embrandeciam, diziam palavras cheias.
                                         
Os meninos lhe chamavam:
— mamãe, meu lanche?  — me leva para escola?
Você, a super mulher, atendia — Os anos passaram, trouxeram aqueles dias para entregar a uma senhora que cumpriu o papel mágico! — O ontem passou arrastando um tribunal de testemunhos.

Não sei ser só, recordo as contemplações;
Não sei perder os abraços; esquecer o jardim,
Deixar no calendário, o Shopping nos finais de semana,
A compra de mês... O pão nosso na mesa...

Para sobreviver no tempo, mesclo o que fazíamos,
As perenidades que raleavam as noites.
O perfume que umedecia o alvorecer.

Não estou mais sabendo combinar os anos.
Então busco as coisas que fazíamos,
Deliro por ter tido tanto
E ter sobrado do existir, sorrisos e vozes,
Palavras que encastelam o hábito
São elas, mobílias e acerbos procedentes.  
Estes outonos passados perpetuaram,

Eles vão e vem, adentram n’alma,