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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Delírios da noite

J. VLemes     

Sento na cadeira da terceira pessoa. Ouço o pronome que vagueia um fio de prosa, que rouba à hora da noite, que faz versos intermináveis.
Vêm para tecer o mais fino poema escrito numa coluna estreita como se fosse um filete cristalino vazado por um vão do teto na rocha. Penso entremear palavras atrevidas da primeira pessoa que me faz versejar outra coluna num amparo paralela a parte. —Tagarela ao mesmo tempo, espera o ponto final que não chega. Olha abaixo, outra vertente, “e o eu também não descansa,” nem mesmo quando topa na vírgula ou esbarra na interrogação. Quando muito exclama quilômetros de letras que vêem pulando da garganta. Cada ela no seu tema distraído. O "eu" e o "ele" emudece, fica pétreo, dá a vez para o pronome que tão logo pára. Não sabe fazer versos só! Quando lá na frente os três juntos ficam pasmados nas inéditas de trivialidades e publicação de um livro de três linhas. Não que sejam poucas, sim, de serem companheiras de maratona que não se sabiam escritas num livro de cabeceira. Acordo. Sento no alto de uma pedra para contemplar a teimosia que jamais pensada numa noite fria de inverno.

…Acordado. Aqui do alto percebo que o diálogo foi a mais pura mentira da noite; — “não existe caderno tal… cumprido no formato do infinito.” Contudo valeu a terapia! Desci da pedra e me pus de corocas na porcelana branca do vaso e passei a fazer um ditado comum!