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sábado, 11 de maio de 2013

Tristonha



[ J. Vitor]


Vaga pela casa tristonha,
Vai até varanda,
Lá fora, curva-se diante do vaso;
rega a begônia carnuda,
intumescendo-as com lágrimas do acaso.
Volta… Melancólica… se vê confinada
quieta e nervosa,
“despe o sentido das flores”
Na parede da sala o cuco antiquário
tilinta choros dolorosos de operários que fabricam segundos
e empacotam vida — decididamente,
a moça ergue o cenho,
após olha ao seu redor,
varre com os olhos os enfeites,
alguns de porcelana
outros de metal frio — sem sina.
uma foto de quando pequenina.
Até quando este hálito de clamor?
É uma serviçal dos móveis mórbidos
Sua casa, antiga, apaga-se de cera, foge da resina
alça-lhe o arranjo de menina.
De si só lhe preveem castigos.
No corredor… Na sala… vai e vem.
Na casa só, sem ninguém...
Vai à ala. No espaço pouco:
Para diante de um quadro, (torto)
Dá a ele um toque de amabilidade
como se visse a si mesma —
desenriçada de vestes
num radial fora de foco.


... Ela pisa sobre as resenhas dos tacos,
Novamente vai até a janela, o ar está mudo;
suas mãos tocam nas ramas
nas folhagens descidas da ânfora,
[do lado de fora.
Em decúbito os pensamentos produzem perguntas
Que verdes são estes nestas folhas paradas?
que azul é este neste céu de cinzas?
Ela se recolhe
o dia se perde em sua ida fatal
Volta, continua silenciosa
vai ao espelho, mira-se em sua imagem copiosa,
quer saber por que sua efígie lhe faz tanto mal…