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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Pensamento

… Alzira ocupa lugares nos meus crimes.
Fulgores de quando éramos crianças.
Ela aceitava brincadeiras de menino;
Catávamos amoras, subíamos nas arvores…
O matagal donde adentrávamos era além da natureza,
lá, o mundo faz de conta.
— Para aprimorar a imaginação
entravamos nas moitas fechadas,
abríamos clareiras.
Criava-se assim, cabanas.
A cada dia uma opção diferente:
hora um Atelier, hora uma cozinha,
outra hora o lugar de nos servirmos de amora.
Fosse um Atelier ou fosse uma cozinha
a finalidade Inebriava a capacidade de duas crianças…
Estando no Atelier;
os rostos de mordacidade mudavam de nuanças…
Ela cuidava do pincel,
E por final eu mapeava a tela de sonhos.
Pouco a pouco, trabalhávamos aquela arte intensa.
Assim, eram as seguidas manhãs!
Rumávamos pela trilha conhecida
até que surgisse o nosso cenário:
“uma moita de maracujá, um pé de amora!”
— Sem nenhuma pressa
Alzira sentava no chão sobre uma roupa qualquer,
e ainda sem pressa, tirava da bolsa,
os apetrechos para a arte!
Expunha-se eximiamente um sorriso curioso
uma tela Semi começada…
Tela! Ainda branca, lisa, sem marca,
sem veludo preto:
— Preparada, eu, o pintor se rendia diante da curiosidade.
Curvava-se!
Vasculhava com o dedo a vasilha,
pois, logo poria tinta
e depois misturaria com as cores dos cantos de passarinhos; com as folhas secas e estalidos de gravetos.
 “Cedo começa a vida artística.”
 ficam para trás inocências, e dá lugar a puberdade.
Dá espaços para as descobertas inebriadas
como curiosidades inquisidores.
Brincadeiras de duas crianças.
“um se amoldava de sorrisos tímidos,
contudo conduzia uma bravata;
a outra acompanhava o sorriso num fictício de mulher.
Pouco importava o pincel devasso tolhido sobre a tela.
Era um pincel louco…
disposto ao cenário de desposar as melhores obras de propriedade nua!
Esbarrava diante da tela louca,
criando a América dos noviços!
Alzira Escarrapachada na circunstância,
seus olhos brilhavam,
seus lábios ressequidos de novidade bebiam àquelas horas de recreio.
No decorrer, os anos passaram,
muito embora, vez e outra volta o inesquecível!
Seja lá onde eu estiver como estou agora:
— Na sacada do terraço, tenho o cotovelo na pedra e o rosto na palma das mãos abertas.
Tenho também as pálpebras confluindo-se no pensamento;
assim, fico no devaneio da imaginação
recopilando Irene com a ex-vizinha.
Além de Irene,
mesclo a mulher Alzira com namoradas antigas.
Espreito a fantasia!
— “Dou para Saturno uma lente de buscar felicidade.”
“binóculo que vai além do raciocínio,”
ultrapassa paredes, cortinas, peça intima, e mais…

Os braços se cansam de segurar o pensamento,
então me esparramo no limiar do parapeito,
descanso o osso duro do cotovelo
e continuo o vaguear ao encontro de Alzira de quando sobe no queijo, ou sai na toalha de banho.

J.Vitor