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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Belizário

(J.Vitor)

Quero vida magnata, ouro tesouro e prata!
Quero vinho, quero leite de cabrita montês.
Ambiciono ser nobre, esquecer a impolidez,
recomeçar tudo, levantar palácio na mata.

Nas manhãs quero caminhar sem sacrilégio
Tomar um bonde qualquer, um cavalo ágio:
Que transpasse o poço, que pule a pedra
Que nos livre das enxurradas sem regra.



O que importará as rachas no telhado?
o reboco descascado, a tinta esmaecido?
Porque irei lembrar-me do sortilégio?
Do coaxar dos sapos vestido de brejo?

Vida rica! Sim, inteiramente!
Todas, desde o primórdio acrônimo
Quando a janela se abre para o levante
E depois se fecha para o pobre cômico.

Belizário, tu me fazes combalir.
Tuas deixas são desmazeladas companheiras,
Tuas vicissitudes amargas roem o ardil.
— viver com valência!? Sim, de todas as maneiras.

Belizário! Não quero esta preguiça matutina
Não sou homem mórbido, tenho tapume no sono.
Nos ossos tutano para ganhar a sina.
Explico! — Belizário é um cognome inoportuno.

Quero nas manhãs Ter caminhos planos;
no meu caso um Ajudante de plágio,
oponente às pedras no caminho.)
Das águas chuvosas não quero pingos videntes,
não quero rachas no telhado.
Quero colchão e cobertores quentes.

Vida! sim, acostumada de competir...
Tanto que criarei a rainha das manhãs.
As pedradas me fazem combalir
Não quero alternativas sem jogada ganha.

Viver com valência! Sim! Mais!
Quero ser centenário sem Ter que me poupar,
Quero alçar os braços e arrastar as pedras.
“Enfada-me a vida, se esta me quer parasitar”