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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O evangelista

( J. Vitor)


Ontem me encontrei.
Estava dentro do metro, pus a falar do paraíso.
Falei do louco Senhor que me ensina amar…
Ninguém deu crédito.
Ninguém quis ouvir loucuras!

Como poderiam?
Os homens estão se perdendo para as capitanias
Não há mais assistência para uma criada que tem fome,
O vil do níquel é o que tem dado impulso  nas máquinas,
e isto! — a proatividade tem sido os faróis nas esquinas

Voltamos à terra do ninguém:
Ninguém arriba o moço que tem a roupa rota da roça
Pouco importa se ele beneficiou a terra, arou, lavrou…
Porém o grão não vingou, não germinou! Mínguo o feijão.
A chuva não veio! O solo não deu do seu esteio!


Não basta que me diga, sou ateu, não sei amar.

Será mais aplausível se me responderem:
— quem deu a crença de não crer?
Ou de não acreditar no seu próprio olhar?

Amigo, se acaso esbarrar-te a um desvairado
Pergunte-lhe, de onde vens?
quem saiba não seja ele o criador do Homem Ateu
ou ao menos chore contigo a tua solidão.

Amigo, não te esqueça em desabrigo
Antes, lembra-te da eclesia, da tua manjedoura.
Tem ali o eterno berço, a eterna alma…
Tem lá todo o teu choro, todos os teus.

A fé não pode ser somente o café,
O perdão não tão igual ao tamanho do feijão.
Amigo, o céu tem que ser grande,
Tem que ser um bem, maior: “salvação!”