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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Viajarei...

Os policias bateram nas tabuas do barraco, meu cão rosnou no quintal. Minha companheira empurrou uma parede de paus que estavam carcomidos de cupim, (quatro taboas desceram ringindo uma sobre a outra,) Maria atirou os nossos pequenos para fora,
 e com sinal de silêncio ela também varou o buraco e desceu borro abaixo com destreza de quem já havia estudado o caminho de possível fuga. Os meganhas puseram a porta pelos ares, à tranca foi estilhaçada com os batentes podres… as minhas mãos estavam postas para trás sobre meu corpo em dorso. Eles avançaram, espatifaram a pequena mesa junto de outro caixote que guardava nosso último quilo de feijão.
Com os olhos fincados na terra… pedia misericórdia, pedia para que Deus terminasse as minhas poesias… A metralhadora não me deu tempo, rajou sobre meu corpo, viajei.
Vi após… os meus amados, subiam, vinham de volta pelas barrancas, nisto, de vê-los subindo entendi que os nossos versos estavam prontos.
Não me conturbava mais… aquietei-me. O meu coração recitava a oração de agradecimento, e de engrandecimento consegui desatar os meus olhos do choro…

…Queridos seguidores… Deus um dia nos fará entender a força de uma amizade,
Sem magoa, Deus abençoe a todos…
Se parecer milagre faz o filme, assim darei continuação a este roteiro:

Os policiais estavam vestidos de branco, nas divisas de santidade, havia asas de céu; eles tinham compromisso com as estrelas. 
Para simples efeito eles transpuseram o meu coração no lugar; “sorriam entre eles.” Cornetas se dispunham ao redor e um hino sublime que era cantado:  “No dia em que Jesus vier grande há de ser o meu peregrinar...”
Eu,  ergui-me leve como um vapor obediente, quis ter lágrimas, mas o para-anjo me informou: é inútil recorrer as parafernálias humanas.  Mesmo assim, vendo o estrago daquela mudança, roguei nulidade da causa, supliquei pelos recursos, tudo em vão.
O passamento na colina estava esgotando, pois havia tantos outros numa fila interminável. Entendi sofreguidão, aquietei-me entre os espaços das flores. Um sinal foi dado de cima, a corda estava sendo arribada. Estava finado na sorte das mãos que se supunham com punhados de Adeus e um tanto de torrões que batiam chocas na tampa da casa roxa. 

Maria se vestia com um vestido de ternura, tinha rendas demarcando sua figura. Sem ela saber; havia ainda uma comunicação entre nós. Não sei por quanto duraria a contemplação que estava retornando em fetiches e alegrias em formas de beijos e prazeres que um gozo humano não explica quase nada. Por final começou a se apagar, e então comecei a me desapegar e compreender o sinal que tudo havia postergado para o reinicio!
*Aos que aqui chegam, seja de onde quer que seja que sejam anjos, amigos que nutre sentimento. Com certeza terá na caixa do pensamento uma saudação… é o que basta, pois saibam que cuido de uma horta, mais que isto, tenho uma incubadora, faço dela um silo donde todo carinho é brota, cresce, sorri como flor e depois se despenca em frutos, e deles faço doces virtuais.



Agora começarei o drama na terra, e no final o roteiro nos mostrará a vida no céu… Aguardem



de J.Vitor