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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

homenagem p/Tio Domingos Ramalho


Bem adiante… no cenóbio do tempo, quando ainda o tempo era um menino.  Um ermitão… Sr. Domingos apareceu numa das tardes de garoa, vestia seu corpanzil num terno de bom caimento, a cor suplicava mistério pelo desconhecido. No ombro, alçava uma caixa quadradinha de couro preto. Naquela época, pensávamos… “só bruxo e mágicos” transportam objetos, o que se dirá passar para um papel o corpo e a alma de uma pessoa. - Era engano! Era a fotografia!
A máquina Kodak já havia na proeza de ter fotografado a Imperatriz Leopoldina.
Aquele Senhor atravessou o nosso quintal, sentou na nossa cozinha numa peculiar receita, (perspicaz mistério).
Eu e as minhas irmãs, um em cada canto da mesa, estávamos aprendendo o moderno.
Nossa mãe arrumou para ele um quartinho abaixo da nossa casa. Do lado da cama havia uma mesinha. Encima couberam os tubinhos de tintas a óleo e muitos pincéis que ele foi tirando de uma mala aparte.
Numa certa manhã ele estava do lado de fora e a sua frente uma tela encilhada num cavalete. (naqueles dias de fenômeno, eu deixava de ir ao campinho e até de traquinar ou varar as cercas das chácaras.)  
Desconfiado admirava aquele alvor como se fosse de um disco voador que ainda não havia aberto as portas. Não havia portas! e sim uma alma empenhada na cobiça da paisagem.
O pincel corria na tela como se tivesse uma tocha, e na suas brasas os cabelos iam se desprendendo de segredos e das descobertas do mundo!  de J.Vitor
 








Pintura original: Domingos Ramalho 















Blogger Sonia disse...








Oiiiii Vitor,



Também me lembro do Sr. Domingos Ramalho, mágico mesmo. É como um filme que marcou a nossa infância e adolescência e penso agora ... temos um pouquinho do sangue dele, com certeza corre nas nosssas veias, muitos dessa familia o seu dom de artista.
Lembro que toda vez que ele vinha nos visitar era muito alegre e sempre me desenhava numa folha de papel de várias maneiras. Lembro também de um quadro que ele pintou da Vera.
Adorei sua crônica sobre ele. real, poética, magnifica.
Sua mente de poeta é inesquecível, faz a gente voltar ao passado, nostalgicamente. Tantos fatos legais, a nossa história.

Bjsssss
  


Silmara Lemes disse...

Doce lembrança... e o mistério do homen permanece até hoje...
uma pena não ter outros desenhos e fotos para apreciarmos o artista um pouquinho mais...

Gostaria que todos os meus amigos e familiares tenham acesso ao site abaixo, não apenas para prestigiar nosso querido primo José Vitor (pq é óbvio o quanto ele merece) mas para que vcs se deliciem e se emocionem com as coisas que ele escreve, com a capacidade que tem de transmitir, em palavras, seus sentimentos!!!!
 ·  ·  · há 2 horas · 


Elaine Sanchez



Esse quadro foi pintado por Domingos Ramalho, irmão da Vovó Emília, há mais de 80 anos. Esta com a minha mãe que trouxe ontem para que eu pudesse fotografá-lo e pendurá-lo na parede da FAMÍLIA!


há 56 minutos · Curtir