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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Volto


Volto no caminho do tempo, abro as suas janelas, repriso as cenas… Finco a sonolência nas noites, convivo com o outrora.

Como é insinuoso o advir das primaveras, mesmo que nos deixa distante, porém, cabe voltar ao tal momento, isto, farei agora: sentarei no tempo, lembrarei de cada um, de cada bolo, de cada borda. Direi dos outros sabendo do ribete deste atual: (trinta anos de namoro, de apego, de sentarmos a mesma mesa, discutir o mesmo macarrão).
Dedicações singelas criaram dunas, andaram pelas muitas praias, conheceram outonos, escondeu-se em verões, se bronzearam no sol da tarde… não faltou inverno, não faltou amor de cama!
E o agora?! — Nunca deixará de despontar do detrás da colina… trarão o presente prático do futuro, as amizades feitas como cubos ansiosos; como experiências, refrão de músicas, reflexões das coisas lindas e saudades infindas…
Rogo, que não houvesse distância ou que fosse somente momento de sono, quando o sonho se retira para repousar. No demais, trago a eterna parceria; — são das medidas de trabalho, são do capinar do campo, no erguer do sobrado, no estirar dos nossos corpos na areia, de irmos a festas, da bivalência de matrimônio…
Quem sabe tenhamos denegrido regras, mas agora como velhos, pleitearemos eternos amigos. Seremos eternos eviternos. Pois temos quinhões de evidências projetadas e muitas poesias que continuarão.
Como acontece em certas épocas da vida: sentira o peso de estar avelhado… Amigos passavam… traziam frases de asperezas, porém verdadeiras… tiradas dos anos, faziam surpresa. E pelas repetições elas ficam efusivas; entram como chuvas,,, trepicam arrepios, dormem nos pólos congelados.
Os anos presente são como árvores vividas que sabem das estações, que sabem das folhas aveludadas, de quando verdes, das épocas de seca, dos galhos que ficam mirrados, contudo, mesmo descoberto… é tempo de frutos, é tempo de reprisar flores, de repetir perfumes e dar frutos para as novidades.

“Volto ao caminho do tempo” inalo o ar das rosas, busco ressonar o menino que ficara; perco-me recordando o moço, e retorno trazendo o velho.
Lembro de lá, seus momentos difíceis: o mundo rufava tempestades, o moço cavava as suas próprias trincheiras, abria tarefas intrigueiras; saia delas com destreza ligeira. — Era como sombra que ameniza o Sol alto. 
De noite... Lar  onde dorme os pardais que após a alvorada se diminuem nos galhos e esperam novo romper. Pela manhã disputam coragem com os predadores, lutam, bicam as bochechas das frutas e atacam os insetos.
Era o veraz pardal que se habituara na busca dos frutos e no vai e vem das dificuldades. Era a prosa do tempo bicudo. Do trabalho que por vez começava a minguar, dos galhos que estavam sem folhas, mostrava o ninho descoberto, aparentava o moço que hoje é o velho.
 Encontrava-se como no fim de uma tarde, onde os pássaros já se alimentaram se banharam no riacho; no entanto, restava cantar o espetáculo do dia, seria os últimos cantos após a revoada ou seria como os atores que recitam seu texto e como a platéia que já dera seus aplausos.
Não arrancaria mais glamoures, — a apresentação entristecera o menino, agarrara sua infância para predominar um papel esmaecido.

 “Volto ao caminho do tempo” e vejo-me numa certa vez que acordara menino ansioso, disposto há explorar o dia nascente: já sonhava com [Maria], já ouvia a saudosa maloca de Adoniran Barbosa.
A música de Vicente Celestino que andava ébrio na bebida por querer.
Luiz Gonzaga que deixou suas terras na esperança de um dia voltar,
Roberto Carlos num amor sem fim pela Maria Rita
e pelos todos mais que somente viveu.

Escrito por J.Vitor