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domingo, 10 de junho de 2012

Flor carnívora

A Abelha africana zune que zune
zune afoita nos carpelos de mel
o seu linguajar se embebe de estigma
encarrapicha-se no gineceu da flor.

Assim me pareceu o cálice das sépalas
uma taça de cristal com o néctar da rosa
bebi dos seus lábios toda força do amor.

Depois desvaneci… dormi naquela tocaia.
Quis não querer outro porre, quis fugir
Quis recuar… era tarde… era uma cela

Era uma façanha perto do pânico
Eriçava o desejo esvaecido com vívidas cores
e sabores de gozo! Mastigou a minha fome
Desmanchou o remorso enquanto a língua
Cantava por instinto o nome da suavidade!
 
Tentei entender a Cafua escura
“Embora entrelaçado…”
Descortinei a janelinha… — (mariscou-me mais)
Tornei-me um tolo embebedado
Então me embrenhei até perder o fôlego.

Continuei!
Interpolei… “cheio de pecado,”
— Zuni-zuni, zuni mais forte!
Boleie o cabelo encarrapichado.
“Soube no instante que jamais sairia daquela flor carnívora!”

de J.Vitor