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sábado, 23 de junho de 2012

Um estranho

Envelheci,
De longe… acenei! Era o moço!
Ia à busca do seu busto coeso
Preso visivelmente no próprio esboço.

Deixei que fosse onde quer que fosse,
Porque os lugares seriam os mesmo,
Lá se passou as épocas, lá viveu Maria!


Deixei que fosse do encontro vago
Que visitasse tio Anastácio,
Que andasse no internacional antigo
Que comprasse pipocas ou contasse anedotas

Acompanhei cada passo,
Trancei o cadarço do sapato
Participei dos sucessos distais
Das notícias intelectuais.

Sabia que após a fugidia
Ririam das coisas vagas
Do caminhão antigo de Papai,
Da cozinha, do piso vermelho,
Da antiga geladeira a gás.

Lembro das tias:
Reuniam-se para tricotar conversas.

Das coisas… lembro…
Só não consigo entender as tacanhas.
Nem as mazelas deste meu rosto.
É muito estranho...
Quem é este no espelho?
Tenho a impressão que o moço não o conheceu!

de J.Vitor