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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Primeira Lição

escrito por [Maria Alice]

Naquela manhã tive todas as lágrimas no coração e todas as emoções de expectativa escolar. Estava para acontecer um marco, e eu não sabia.
Tinha cinco anos. Ganhei um beijinho no rosto e um empurrãozinho no ombro… caminhei… atrás de mim os olhos de mamãe me acompanhavam!
As tias auxiliares arrumavam grupos nas respectivas filas. Seguindo as informações fomos passando um a um até sentarmos todos. Acomodados, ouvimos um pedido de atenção: Tia Fátima estava no canto da sala, esperava por nós. Usava uma capa rosa e tinha na mão um sinaleiro que não me lembro se era uma régua, um acrílico qualquer. Tia Fátima se fez pronta para abrir as regras, ou facilitar a comunicação:
“— Sempre que disser lado direito, lembre-se: direito é o lado que você escreve!”
— Primeiro dia. O coração, que chorava medo e expectativa, aprendeu a regra. O coração se abrira, não chorava mais. Tive outros professores com o mesmo dizer Implícito. Ganhei deles um poder absoluto: “Direita é a mão que escrevo!”.
Serviu para mim, lembro-me orgulhosa como primeira coisa que aprendi na vida de estudante.
Não sou boa fisionomista, confesso!, mas dezesseis anos depois ainda recordo dos olhos verdes e das sardinhas daquele meu coleguinha ruivo da terceira série que disse admirado:
— Você escreve com a mão esquerda?!
A admiração maior foi minha, é claro: a mão direita não era a mão que eu escrevo…
Ainda carrego um trauma e me confundo quando recebo as instruções, tão básicas, de direções laterais. Mas naquele dia, com a ajuda do meu amiguinho Paulo Roberto, quebrei um paradigma. Descobri que não há só uma (nem duas) maneira de pensar e acima de tudo aprendi que mesmo quando meu cérebro reluta devo procurar andar e viver com a mente aberta.
"Tia Fátima não sabia que de uma menina de estrutura pequena se ergueria uma célebre Mulher”
"Alice, só faltava esta frase."

escrito por Maria Azice