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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Fim de tarde

Caminho... Levo a frente um vazio distraindo,
Desapegado do fim da tarde.
Levo o rosto sibilando o vento.
As faces ficam vermelhas, o casaco esvoaça,
o ar entra, perpassa sobre a camisa,
Tufa-se na roupa uma câmara de ar frio;
é a súbita ventania carregada da umidade.
Nestes instantes fico propenso,
Passo a desejar o café tradicional,
o chá habitual, um pão de queijo.

Caminho... Levo pensamentos avulsos,
Distancio-me, sigo o meu abandono:
Alheio de alma... Ausente, só o abandono...
Os passos continuam absortos, livres das cardeais.

A seguir deparo-me com o final de outono.
Bastava olhar, veria o noviço das folhas,
Bastava olhar, veria as copas em refolho.

Caminho… um vulto como se oculto nas ruas desertas,
nas alamedas ou avenidas com casas de muros altos,
Todas com grades de segurança.
Cá de fora sigo anômalo.

Sei que dentro dos lares tem seres iguais,
Mas, vistos deste perfil distal
Torno-os como criações abastadas;
Opacas, só vistas em procedências de frestas...

Caminho... Penado neste silêncio desapegado,
Vejo o termo infinito de céu cinzento.
As lágrimas fecham os olhos... Fabricam mutilados,
desejos restritos… "sou pedinte sem o alento da tarde"…

de J.Vitor