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domingo, 28 de agosto de 2011

Meu prosônimo


Neste silêncio de tarde!
A cidade passeia na minha janela;
Avisto a praça. Dona Joana tricota
Sua neta brinca. Os moços namoram.
Todos. Nenhum há que me aviste
Coloco-me deste lado gradeado… inocência:
Acusam-me de pobre, desgracioso, e,
De outros vultos.  - Sou vitima;
— condenado para viver só…

Neste silêncio de tarde
Vou à janela, amoldo-me do ócio,
Das sombras que vagueiam sem suntuosidade.
Cá passa o universo, traz silêncio,

O bastante para mapear o espaço do nada
E fazer-me imperativos de interpretações.
Que bom se não houvesse esta agoniação,
E que a taça de absinto fosse de vinho.

Contudo, tiro deste translúcido, abstinência,
Tiro dela os meus ideais… Consciência,
Elevo-me inculpe pelo acervo encerrado,
No direito de dizer o meu nome… Penitenciário…

Pra quem me redirei neste silêncio de tarde?
Vou à janela e nela vejo a moldura sem alarde
Encerra-se em sobras de nuvens 
abaixo do céu denso como se procurasse pretenso.

Antes não fosse esta que calandra o espaço do nada.
Fico aqui como a interpretar a vida calada;
Tiro do branco imenso linhas de abstinência,
São iguais as dos meus ideais… sem  condescendência.

de J. Vitor