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domingo, 1 de junho de 2014

Ausência

J. VLemes
Tem vezes que ausência é tanta
Que me sinto ausente de mim
Deitado na penumbra do aposento,
Olhos abertos para o nada,
ouço a respiração gritando com o pulmão,
o ar vem do seu labirinto, funga o vento,
recorro as mãos, elas mexem,
baixo as cortinas da retina, indiferente:
a vela do silêncio despediu-se no breu,
tomou sua mala, foi para praia,
foi para necas, entrou num bote a beira do mar,
desatou as amarras, o corpo, inerte, parte…
vai quase sem pensamento, chacoalheja
como se estive dançando a música das ondas.
O quarto balança, o lustre ainda que apagado, me chama, 
um tanto do silencio se ascende, 
deixa entrar o nácar duro; a vida me acorda, 
estou de volta..