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sábado, 25 de agosto de 2012

Aniversário


Tem vezes que a vida se rebela, é como se ela dissesse:
— que me importa teus abacates, teus cabelos,
o coqueiro e suas frutas penduradas no cabide?
Então paro os recitativos… as poesias para Maria,
deixo tudo guardado no armário.
…Passa-se uma semana, um mês, não edito palavreado. 
Por final, volto, tento compreender o evento.
Tento maquiar as frustrações, (que na verdade são as minhas.) Puramente as minhas.
Tem vezes que a vida é esta falsa puritana.
Passam-se os meses, levam-se os anos, e,
vai junto o menino que se perde na condução do tempo;
um menino conduzido na rebeldia de um vento fugitivo.
Então, clamo aqui do finito como se fosse uma Gaivota que se perde do bando — o pano do mar se estende sem mostrar ancoradouro; olho para baixo, enxergo as ondas que fazem boiar uma única embarcação: “se de consolo ou não” ela grasna um choro, assim também sou:
como se estivesse perdendo os anos e deixando para trás esfoladuras,
ataduras numa história engessada na idade de um homem.  
Não que seja de total deprimência. Não, não é,
é mera subsistência num jogo de memória onde ficam sucumbidos os brinquedos,
o afeto moribundo, e uma mamãe tão silenciosa…!
Tem vezes que me deixo ninar no colo do momento e enxergo
o passado trazendo brinquedos, e muitas arrelias.
Mas ao mesmo instante o momento expatria o verbo e não dá o endereço do presente.
… Passou-se aqui um moço junto de um velho, arrastava um saco, a saber, carregado de muito viver.
Olha-me pela fresta; bisbilhotava as festas, os bolos, e depois exultava cumprimento de aniversário! 

de J.Vitor