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sábado, 26 de maio de 2012

Recordei aquele dia


Vinha distraído, esvoaçava o pensamento.
Levava-me ao rapaz de outro tempo!
E neste transe, esqueci-me trazendo o passado.

Descendo do trem em que estava
Sentei-me numa cadeira da estação
Procurei um lápis, improvisei um papel,
Deixei copiar da alma... Toda lembrança:

Lembrei-me de quando lhe pedi a mão…
Tu sentavas ao lado oposto da poltrona,
Todos...! Ali... Calados, assistiam a indagação:
…Foram instantes duros como um tatame sem lona…

Entro estático nas nuvens daqueles dias
Viso às tardes que separei para nós, pois, fiz delas as minhas folhas,
Plantei as estações dos anos…! Tudo começou ali!
Ali, aos pés das hortênsias que abeiravam a casa;
Tomei das suas folhinhas miúdas e azuis,
fiz do seu cenário imagens de primavera.


Depois… Seu Abílio concedeu o nosso namoro.
Todos saíram da sala, eu adivinhei o teu sorriso.
Tocava em tuas mãos, apertava o teu rosto contra o meu,
e ficávamos horas até que a sombra da noitinha se punha nas cortinas.
E então os lugares nos sofás começavam a serem invadidos,
Alguém nos trazia um cafezinho, e a TV era ligada.

Devolvia a xícara vazia na bandeja;
Sorrateiro entre acenos… caminhava afora.
Aos mesmos passos tomava o teu braço no sentido da varanda.
Na verga do terraço havia ramas e uma gaiola 
dentro dela o canarinho já se encolhia dos últimos cantos. 


Era sinal de mais um aviso
Dava-lhe o beijo derradeiro…
O portão de ripas rangia indeciso,
ele era prova das palavras de amor.

de J.Vitor