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sábado, 31 de março de 2012

O ciclo de uma rosa


Gostaria que o tempo fosse mais amistoso. Que permitisse um diálogo aberto.
Conversaria com ele sobre as dores de artroses, então ele me pediria desculpa pelos anos bandoleiros.
— Desculpas aceitas! Mas antes lhe diria:
Tu és um intrigueiro…!  Pões à mostra as minhas rugas. O que tinhas tu contra os meus vinte aninhos!?  

Sei que tudo acaba ao seu determinado momento, a isto não me oponho! Acho lindo ver o ciclo de uma rosa: Esconde-se num castelo de espinhos, no repente o caule se parte como parto normal! — Seu ovo põe a cabeça para fora… aveludadinha…!  Mais e mais ela vem saindo, assim:  como numa  adolescência de menina! Nos dias de primavera ela debuta num broto de quinze anos, os dias passam… os olhares a acompanham, e sem aperceberem… ao belo dia ela acorda vestida de saia vermelha… rosa… cor de rosa… lilás… branca…! As mais lindas esperanças!
… A coisa que nos assusta é vê-la definhar. 
Ah! Se pudesse ela viver os mais anos — vinte, trinta… quarenta…! Que seja menos ou mais, mas que mantivesse aquele fulgor da juventude!

de J.Vitor