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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Vagas lembranças.

Este foi um livro curto. Não pensava que um dia viria
Ler as suas folhas, muito menos dei numero para as páginas, assim pensava eu, mas como todos sabem o tempo fermenta o passado e inevitavelmente o fermento faz crescer o bolo, e, bolo, representa festa, e assim, para os que curtem conhecimento, descreverei uma biografia, embora sendo particular, não deixará de representar a muitos.
Escreverei neste relato, dados verídicos misturados com lirismo e um pouco de criacionismo, porém não deixará de ser baseado na realidade.
Para  melhor entendimento começo esta biografia de LAURA CINTRA LEMES, trazendo desde principio, primórdios de documentos lavrados no município de Delfinópolis onde consta uma primeira data de raiz, 1898, Seu Pai Victor Gomes Cintra, a qual por questão vale apena ser trazida a parte. Creio que entre fatos, todos os seres da terra tem sua origem que explica peculiaridades.
“A história inicia-se por volta de 1780 e tem origem no conflito existente entre dois grandes fazendeiros, descendentes de bandeirantes paulistas, em relação à linha divisória de suas terras.
Para que a questão fosse resolvida a contento, a esposa de um deles fez uma promessa a Nossa Senhora da Luz.
Certa manhã, conforme combinaram, os fazendeiros (Coronel Cocais e Coronel Camargo) partem cada um de sua residência e cavalgam um em direção ao outro, até se encontrarem próximo ao ribeirão Jorge Pequeno. No local do encontro, fixam o marco divisório e, manda erigir uma capela em devoção à padroeira Nossa Senhora da Luz. Nas proximidades do local, havia um olho d'água, represado por um aterro que abastecia o pequeno povoado formado em volta da capela, o que explica a origem do nome Nossa Senhora da Luz do Aterrado que lhe foi dado.
O ciclo de progresso tem início com a implantação do bispado do Aterrado.
O município se instala em 1923, adotando a denominação de Luz.”
Uma grande parte familiar de Laura tem ainda hoje, raízes em olhos d’água. Laura Cintra nasceu na cidade de Delfinópolis  MG. No dia 24 de julho de1924. Cor de pele branca, 1,55 de altura, foi uma mãe elegante, seus 3 filhos quando se reúnem, gabam ao lembrá-La de sua generosidade, sua postura de dama seminal. Diz os filhos com peso e levante de orgulho: entre poucas, esta foi a nossa rainha.  
Então foi assim: Não era meio dia quando ele entrou, atravessou o salão e veio… trazia o cordial sorriso, chutou a bexiga que estava enroscada no pé da mesa; nós, eu e todos, paramos para assistir a alegria que ele trazia, não precisava fazer pose para ser cordial; espontaneamente o era. Sentou-se a mesa, contou pilherias enquanto tomávamos cerveja.
Mamãe tinha o rosto róseo, seu semblante era doce.
Naquele dia, ainda não pensava eu, que aquele pedaço de vida pudesse ser contado com clareza de um replay. Laura Cintra Lemes, este era seu nome. Quando criança costumava achar que nome de mãe tinha que ser Laura! Combina com o carinho, com o colo da manhã, até o sabor do pão com manteiga misturado com café era de uma nobreza só.
No demais dos dias a qualquer tempo farei um livro trazendo-a para apresentá-La aos netos.
Deixo por instante permeada este pequeno desfecho para voltar ao empenho desta história.
Não era meio dia, mas a ordem do evento estava pronta.
Uma das minhas tias, Isaura, irmã mais nova, juntara-se a nós fortalecendo as preparações de uma festa surpresa.
Minha irmã, Mara, estava incumbida de passar em casa e trazer mamãe. Quando puseram os pés para a entrada do prédio, talvez algum sinal se fizesse de festividade, porém, acreditamos que por instante, ouve um abismar de novidade que se rompeu em salvas.
Laura vestia um vestido claro com um sobre acolhimento verde que hoje, quando algum outro, por mim passa, arrasta-me para as lembranças sólidas; lágrimas batem em pedras, são saudades que caem dos meus olhos.
Mamãe fazia aniversário. Na quadra, os meninos faziam uma disputa. Dava-se uma algazarra misturada de tudo.
No quiosque ardiam os espetinhos junto com a quicé dos aperitivos.
Aquela tarde passou, ou talvez ela não tenha passado, porque foi a ultima vez que estivemos juntos para explodirmos rojões…
Ruy Sanchez Lemes, um jovem fogoso, cútis avermelhada, praticamente um dos deuses grego. Risonho, experimentado nas dificuldades. Criou-se entre nove irmãos. Ele o mais velho dos nove, carregava em si, um tributo de maior responsabilidade. Tinha nele um pouco do sangue dos bandeirantes que vieram pelo rio Tietê e pescavam  um denominado peixe chamado Jaú, na foz de um ribeirão. O local, desde então, ficou conhecido como Barra do Ribeirão do Jaú. Motivados pela excelente qualidade da terra roxa, abundante na região, os primeiros habitantes oriundos de ItuPorto FelizCapivari e do sul de Minas Gerais, aí se fixaram com suas famílias.
Seu José, pai de Ruy, formou sua família em Jaú, depois vieram para São Paulo.
Quando aqui chegaram, desembarcaram na estação da antiga Sorocabana, vieram morar na Vila Morais.
Na época fervilhava a antiga praça 1ª Conceição que após passou a ser oficialmente chamada de Praça da Árvore.
E disse o poeta sobre a praça e bosque onde as pessoas ali paravam para tomarem fresca, namorarem, e, ali já vendiam prospecto de um amanhã, dizendo:
Subsistirão  perpetuamente destes ares, episódios; que nunca será somente um passado de pai para filho; folgarão as famílias do futuro, ouvir e saber que em bancos deste lugar, reuniam infantos e jovens.
Era naquele tempo o tempo em que gerações se construíam para que outras continuassem os edifícios.
Ruy era o predito moço que certa vez o tarô da cigana enxergou no olhar Laura.  — dissera a nômade mulher: vejo em tuas mãos uma ordem, tu encontrarás a tal dia e em tal lugar um moço. Virá ele como o vento vem e chacoalha as árvores, faz dobrar as palmeiras, assim ele virá, entrará no teu destino, prontamente se volverá o vaticinado em tua pequena casa onde coabita os sentimentos.
Laura foi uma menina sofrida, moravam na proximidade da serra da Canastra, seus africionamentos  eram muitos, vivia sobressaltada pelas carências.  Aprendeu desde cedo a lutar, e com lutas veio a ser uma mulher. Embora ainda jovem, tomou para si as responsabilidades; ajuntou seus irmãos menores, vestindo-os com roupas que viera a comprar de um senhor lojista, que na época acreditou que ela tinha garra para assumir o compromisso e de vir para São Paulo; alojar a família, arrumar um emprego e posteriormente pagar a divida que fizera na compra de cada vestimenta. Nesta época, Barbara, sua mãe, vinha sofrendo de perdas de memória. Praticamente havia abandonado os filhos para o esquecimento.
Particularmente, se há em mim o direito; quero adivinhar uma mocinha esbelta, condescendente, naturalmente linda, pois, sem modéstia, somente com o orgulho, pintarei um retrato de uma meia mulher de olhos castanhos, 1,55 de altura, de uma linhagem portuguesa, mistificada com indígenas…  que bem sabemos por historiadores que as índias eram lindas, bem formadas de corpo, e entre os índios havia um elenco de Hollywood. O escritor modernista, José de Alencar destaca neste sentido “Peri,”  o personagem principal de "O Guarani", romance em que Alencar, de modo épico, faz uma alegoria das origens do Brasil. 
A carta de Pero Vaz ao Rei D Manuel I, faz um relato exato de como era os índios em sua formosura.
A beleza de Laura não era a pedra fundamental, que fosse igual a um doce, pois havia nela a generosidade gratuita, a serenidade casual. Isto não é um conto de lápis sem memória, doce como açúcar era a sua amizade.
Talvez me enganem os detalhes, mas não estou omitindo a figura e nem o seu figurino. Levanto os olhos para ela, seu rosto macio de uma menina, ganhou os dias de moça, na época as oportunidades para elevar os estudos eram zero;   embora fosse inteligente, trazia em si o conhecimento do primário.
Quando ela conheceu Ruy, foi através de uma roda de amigas, que por sorte, Araci veio a ser sua cunhada e tornou-se muito mais que vinco familiar; sempre que podiam, faziam vizitas no rolo dos anos. Foram confidentes  sem marasmo de receio.
Coube um preparo festivo no dia do seu casamento. Como marido e mulher, Laura e Ruy tiveram seis filhos, sendo que três não viveram o extensivo do lar.
Que seja lembrada a cáustica luta dos dias, mesmo que estivessem ainda sonhos de mel, os dias foram garridos.   
Os remanescidos vieram, e aos poucos fizeram troco de um amor inteiro; custa aqui, somar os dias de colo, de lições que eram tantas de janeiro a janeiro.
 Aquela menina cujos infortúnios a quis pobre, eram alegres e vivazes. Aprendeu a construir honradez  
Trabalhou como doméstica na casa do juiz. Por volta de algum tempo, sua mãe, dona Barbara, perdeu a memória, quando Laura chegava a casa no fim do dia, encontrava uma senhora apática sentada num banquinho, ficava horas sem ter tido reações para cuidar dos menores que por vez eram acudidos pela vizinha que se apiedava por ouvir os choramingões. Triste,  porém acautelada, a menina Laura, cuidava dos afazeres restantes.
Seus avós por parte do pai foram fazendeiros fortes, tiveram uma grande fortuna em latifúndios, porém seus filhos lapidaram cada erva dos seus espaços. Nada sobrou.
Destes lugarejos como Olhos d’água, Delfinópolis, Guarita de Minas (Serra da Canastra); este narrador aqui, atrás das lembranças, se fez conhecedor quando menino com doze anos de idade. Lembra ele, “o menino,” de ter seguido viagem com sua mãe. Desceram na cidade passos de Minas. Visitaram ali alguns parentes, pernoitaram e seguiram após para Olhos d’água. Encontrou viva a Tia Cotinha, uma das irmãs dos avós, moravam com ela seus filhos e filhas, todos maiores, eram primos de Laura.
Nesta época em que lá estivemos as noites eram como breu, se não fosse pelas as estrelas que no céu se produziam com intimidade, suas portas estavam aparentes, dava-me a impressão que havia um convite para alcançá-las com as mãos. Porém para os meus olhos de cidade, acostumado com os artifícios dos lampadários, fui zombado pelos meus anfitriões que tiveram que me  conduziram até chegar aos lugares onde eles reuniam-se numa taberna iluminada com candeeiros a querosene.
Para aquele menino, filho daquela menina da terra, ficou registrado a sabedoria do principio, quando o primeiro interruptor foi o mandar de Deus dizendo, haja e ouve o dia, depois a noite virgem, sem nenhuma interrupção.
Dou fé deste pequeno roteiro não por mim, é que  querendo o narrador trazer fatos de Laura, entra na história que ali conseguiu. Soube naquelas paragens que alguns dos herdeiros, tios de Victor, consequente tios avós de Laura; estavam entre duas bandas de uma fazenda que fora divida por estrada que no presente dividia a herdade com muitas contendas.
Depois dali, tomamos a jardineira que passava pela manhã, e fomos para Delfinópolis