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sexta-feira, 23 de março de 2012

Varanda

O mundo não ultrapassa a minha janela.
Nem vai além daquela casinha… longe…
Onde uma senhoria sai para o quintal
Debruça-se no muro e fica olhando a rua



Tem dias que percebo-a distraída.
Eu tropeço no fôlego e finjo não existir o além
dissimulo  que depois do morro a vida é esse alguém:
Uma esperança no inerte de advir uma musa.



Acompanho a paisagem pela varanda,
idolatro o vestido que a tal mulher revela
O desejo mina o morro e a desvenda...
faz dela uma prenda adotada pela janela.

Na volúpia fico a desenhar a tal mulher
o sonho faz vírgulas, pausa fantasias...
cria ponto, trilha reticência no V do atelier.


O dia passa e nada me tira da fulgura feminina,
Dilata sensibilidade febril nas têmporas do ardor
faz aflorar... faz o mundo transformar-la em menina.

Fico no desenho daquela figura transcendida
volição  faz acontecer o monte, destaca as árvores,
Exubera o delírio... o mundo vem morar as escondidas


Quero que o mundo passe por aqui... bem devagar!
Ele pode talhar o universo e me dar aquela estrela...



de J.Vitor