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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Leopardo



Sou um leopardo faminto.
Observo a paragem da gazela,
Tenho fome. Nem por isso me apresso
Saberei esperá-la


Se vier por caminho paralelo
Ambos se tocaiam aqui
A gazela precisa de água
Precisa matar a sede.
Nesta fonte tem o seu banho
Esperarei até que venha
Ficarei abaixado… acoitado…Ela virá!
Deixarei que entre
Que role junto dos peixes
Que brinque com eles
Só não a deixarei ir
Sou um leopardo com fome
Preciso de carne.
Bem sabe ela do meu apetite,
dos dentes que tenho
Eu no meu instinto
Ela no dela
Eu quero carne
Ela, os meus dentes
Não serei rude — dentre as normas
Esperarei que termine o banho
Depois me lanço Como nos filmes
De princípio levará um susto
Medirá força de seu charme de gazela
E então Irei imobilizá-la
Até que ela se entregue.
fechará os olhos
…ali, inerte…
sabendo que preciso dos braços, das pernas
levarei o dia todo
então me jogarei na fonte
Libertarei-me naquele gozo...

2ª parte
Não. Não sou um leopardo!
Sou um homem!
Aqui neste lago deserto.

imagem da web
Ela é o pecado da gula que tenho.
desce nas tardes quentes
Vem banhar-se nesta ribeira
Bem sabe ou imagina encontrar-me ali:


Bem sabe! Um perigo adentrado na mata
sentado na pedra sem destinação
Tramado de gozo secreto
numa veste de homem ardil

Não. Não sou um leopardo!
Sou um homem!
…Aqui neste lago deserto.

De perigoso que sou
Sou o chapéu desta rocha
Que se aquieta em vigília
Até que ela o banho termine
Então subirá a margem
Transfigurar-se-á transparente
Irrefutável de formas mulher
forma de desejos bêbados
interpelada pela dor,
Que se faz indelicada com a alma
vista de tanto esplendor.

José Vitor