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domingo, 5 de junho de 2011

Os bonecos que não criei


Desta doce vida estive embarcado;
Tal a felicidade do pescador que vai ao mar, que lança a rede e depois a traz numerada de peixes.
Fui o lenhador do cedro quando ainda exalava perfume
O engenheiro da flor quando ela se pintava de amor.
Conheci dor à toa: andava apaixonado pela proa
Depois reconheci a carpa. Fugitiva. Tinha a marca de outro pescado. — naquela manhã ela fora escorregadia, além de romper-me o peito, deixou o pequeno barco atado, até que, certo carpinteiro: meio romântico, meio marceneiro

Atrelou-se a tudo tomando outro embarcado. Confinou-se em outro flash Bach corriqueiro de objetos, como: quadros na parede, “a velha marcenaria” cheia de minúcias, cartões de aniversário das crianças pequenas. 

Ergo o cenho, o que vejo? Recorte de um palhaço desenhado na cartolina (patente de estar exposto ao pó, brocado de traças), significação de um abraço de filha: primeiros passos...
Entre a porta marrom canduras misturadas de timidez,
Não tardava em dizer “papai.”

Tomava da bancada o martelo, o prego e ponteava meu presente no quadro da alegria junto dos demais quando em momentos outros me traziam um motivo para estarem ali.
Contudo, me vejo perdido na oportunidade de ter encerrado aquele dia, de não ter entrado na bagunça dos brinquedos, sentado junto da cartilha, ter falado do jardim da infância… reparado a boneca quebrada.
Hoje olhando à esta volta me arrependo dos bonecos que não criei, do Gepeto que não fui. Achava não ter tempo para cravar um prego no Pinóquio.
Não menos que nesta hora, sinto-me nesta Clausura
Vasculho mais, terminei a encomenda; me sobra ressaltar o carro do automobilista Nelson Piquet, no mínimo 10 anos sua foto personaliza o canto atrás da lixadeira. Dez anos! Posso repará-lo: a moldura cheia de pó, carcomida as bordas.
Que tudo fosse somente a corrida da fórmula 1! o velho pano de Portinari, a viola do Paulinho; mas não, entre, está o retrato feito a lápis: somente eu sei, sou o autor daquela menina. Nisto sei, ela não é unicamente os olhinhos inocentes atrás do vidro. Ela é a moça que foi a Venezuela.

Autor: José Vitor