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quarta-feira, 4 de abril de 2012

O poeta do concreto

de J. Vitor

Queria que os filamentos do meu corpo tivessem válvulas e registros de acesso para que os meus próprios dedos controlassem os impulsos compulsivos. Se assim fosse, entraria nesse painel de comando, meteria o martelo em tudo, principalmente no quesito do sentimentalismo. Desligaria a casa de leitura, poria abaixo livro a livro. Um folheto somente manteria visível: — “Nunca mais faça poesias”.

Dai para frente deixaria valer este lembrete:

Habitava na cidade o poeta do concreto
Tomava-se de um lápis como se apunha uma talhadura.
Descia A marreta sobre a folha... gravitava rachadura,
O caderno ali parado dormia pálido e quieto.
 
Quisera ele ser um poeta do interior,
Esquecer o desgaste que lhe mudava o natural.
Romper o dia que o levava a desfecho brutal!
“Mas” criou-se ao redor de si a cidade do glamour!

Mesmo que agora venha esta oportunidade,
É vinda de muito atraso, não havia de mudá-lo.
Seria choque na alma, trauma na verdade...
Portanto ficou plantado na cidade... Ninguém ousou acordá-lo...