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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Um olhar!

[ de J. Vitor ]

Deus! Não lhe peço coisas que tu não fizeste,
Como: o dinheiro, o carro, o avião.
Peço somente as coisas que disseste;
Se merecer… que seja o pão.

Porém, quero primeiro o amor verdadeiro.
Ensina-me decuplicar os instantes
Fale-me dos mistérios, dos atos pioneiros:
Sem indiferença, sem ausências constantes.

Sou homem, torto, curvo de fatos mortos,
Sou qual a montanha com sebes de borras
Me visto de amor, tenho sede de farras
Cubro-me de carne, tenho dor.

No dia, caminho… na noite tenho medo:
Temo o vinho, o ninho, o linho…
Temo olhar e não me ver
Ver e não me compreender…

Temo as lágrimas nos olhos:
As que rolam,  embotam o colarinho,
Apagam os brilhos e
Ajuntam-se a este pedinte louco.

Deus! Eis me aqui, lânguido, taciturno.
Ajude-me na charola, porque paro e durmo
Porque estou entre almas semiprontas
Alias, sou vaga montanha perto de tantas:

Mantas de águas, lençóis de cristais,
Ah! Se ao menos não tivesse cama, nem sinais de dores,
amores, recusas, vícios…
então não dormiria no cilício

não acordaria no bulício…
não clamaria pôr estar no suplício,
não teria esta prece interminável
menos ainda o coração com farpas do impossível.

Mas tenho,  moro na própria sombra.
Sou cômodo  de vagas
Se me olho, alugo-me de sobra,

Ajude-me no café, nas refeições,
no matinal, no madrigal.
Preciso das canções…

Preciso do mínimo: um olhar Teu!